terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sobre lembranças de epitáfio.



Noite chuvosa de setembro. Os galhos das árvores batiam sem pena nas janelas do meu quarto. Isso me faz lembrar da minha infância, melhor época da vida. Talvez da minha vida. Há um incrível arrependimento até hoje das coisas que tanto planejei, que tanto custei a acreditar e que não foram realizadas, não foram atendidas. E isso me lembra minha triste e dolorosa adolescência. Pior época da vida. Essa sim nos faz acreditar naquilo que é errado, nos faz errar e custar a se arrepender. Essa nos faz amar a morte e odiar a vida. Nos faz deixar os sonhos de lado e viver a realidade sem amor. E isso me lembra minha fase adulta, essa nos faz lembrar de tudo, de como éramos felizes quando crianças, como éramos amados e amávamos com facilidade. Lembramos de quando éramos adolescentes e chorávamos por qualquer motivo, nos trancávamos no banheiro e saía de lá sem dor. Saíamos mortos por dentro. E por quantas vezes eu morri nessa fase da minha vida... Em fim, hoje aqui estou eu: velho, cansado e amargurado, sentindo uma plena inveja daqueles que conseguem amar sofrendo, que tem tempo para amar e sofrer. E eu que reclamava tanto do amor, daquele beijo que meu pai esquecia de me dar, daquele sorriso lindo que ganhava da moça da esquina... Daria tudo, exatamente tudo, pra ter isso de volta. E se precisar sofro mais ainda.

"Um dia triste. Toda fragilidade incide. E o pensamento lá em você. E tudo me divide..." -Djavan.

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