Eu fiquei esperando o adeus, e olha só: ele veio.
Eu posso dizer que isso foi uma das coisas mais lindas que eu já vi. Posso dizer que foi o começo de uma vida ou o término dela. Eu posso dizer que foi um frustrante adeus, ou apenas um simples até logo. Eu prestei atenção em todos os passos dela, todos os olhares dele, as lágrimas que desciam do rosto dela e o sorriso de "vou ficar te esperando" dele. Havia duas malas ao lado dela, grandes, daquelas que dizem "vou demorar". Eu via o semblante da moça, tão triste ela tadinha, parecia desconsolada apesar dos toques dele em seu rosto. Ouvi um barulho, seria um chamado de "vem moça, ele não vai te esquecer"? Daí eu entrei, tanta gente, tantas malas, tantos amores partidos... A moça sentou logo ao meu lado, corria tão rápido, parecia querer aliviar a dor. Eu vi as mensagens, havia uma troca de olhares entre ela e a janela. Entre ela e ele. A moça sorria entristecida, lembrando os abraço de minutos antes, o afago do moço, era só eles no meio da multidão. E nós partimos, ela se inclinava, fazia força para olhá-lo pela última vez. E encostou no banco, olhava pro nada e digitava com seus dedos estremecidos. A acompanhei até o seu destino, ela desceu correndo e desapareceu no escuro da rodoviária. Eu lembrava daquela música "Só por hoje não vou tomar minha dose de você..." Só hoje, ou por uma eternidade.
Olá gente, isso que você acabou de ler foi verídico. Eu viajava e via aquele casal, uma moça baixa de olhos claros e ele, alto de olhos castanhos. Eu chorava junto com ela. E pra continuar nesse clima, uma música do Cícero.
"Pra onde elas vão? Embora."

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